16 de fev de 2007

LANTERNAS


Bonito esse sentimento
que sai por aí
acendendo lanternas
de papel de seda.

CONDUÇÃO

Que condução pegar
para chegar ao coração
de quem quer ler, amar?

Sem condução um coração poema
vai morrer na praia
a mesma praia que o tornou possível.

Mas esse amor-poema
vai de outdoor, de carona
há de encontrar um jeitinho.

por que muita gente
quer amar, fazer poemas
andar de bicicleta
mas não sabe o jeitinho.

POR ISSO TE AMO MAIS


O ar
o mar, a luz.
todas as coisas das quais não temos domínio
só suspeitamos
e por isso amamos mais
que a mesa posta, a cama feita.
Ah, de quanto ar luz e mares
se faz seu corpo de abraços na cama desfeita.
Por isso te amo mais.

RUÍNAS


Criamos nossas próprias emboscadas
por não entender a felicidade
da flor, das abelhas, das minhocas no jardim.
Ter o domínio puro da razão
ou ter paz incomoda tanto
quanto ver os dias chegarem e partirem
como quem conta carneirinhos.
E restamos marcados
vítimas de nós mesmos
quando tarde descobrimos
que os bons sentimentos
foram aqueles que guardamos no porão.

POEMA


Quebrei a asa
estou de cama
não sei onde você está
e preciso de um poema.
Um teorema
qualquer coisa
que toque música
pois um poema, na verdade
mora em todo olhar
e ninguém lhe pergunta o nome
porque assim
não seria um poema.

VIVER


Mesmo ferindo os dedos
lanhando a alma
fazendo calos
eu busco:
a escada, o céu, o im-possivél.
Mesmo que os dias passem
você não venha
eu irei te buscar.
Por que quero
no fim da festa
subir nesses escombros
e gritar: vivi!

15 de fev de 2007

SONHOS


Não corra atras dos sonhos
eles são leves e somem, ao menor deslocamento de ar.
Não corra atrás do amor
ele é tímido e foge, se lhe tocam o ombro.
Não corra, pare e viva.
Cada manhã com sol nascendo
onda quebrando na praia
borbrleta voando no jardim
chuva umedecendo terra
abraço corpo carinho
pão com manteiga, quentinho
lençol cheiroso limpinho.
E os sonhos?
Os sonhos, aí sim, eles virão.

LONGE


Longe é como um hiato se-pa-ra-do
que não sabe se vai voltar.
É sentar e esperar.
que passe a vida.
Desacatando os peixes com pedrinhas nervosas
inventariando as horas e as estrelas
para no fim vazio restar.

MÊDO

E como conchas nos fechamos.
Recolhidos em nossos segredos
alimentando nossos próprios medos.
Guardando cautelosa distância
de quem nos espreita o coração.
Tão fácil presa.

POEMA DO NECESSÁRIO AMOR

Não, o que me fez infeliz não foi você.
Com suas palavras, sete punhais.
Nem você, olhos de areia movediça
quando me disse "nunca mais".

O que me faz infeliz é a vontade de um amor
que pudesse ser dado, assim não racionado
a quem precisasse desse amor.

Pedintes corações nas esquinas do tempo
desse tão grande nosso desamor.

CARNAVAL


Faz muito tempo, o mar.
E não é carnaval.

BELEZA


Ruas douradas
música, poesia...
Beleza onde não há.
Todo homem devia
ao menos uma vez
olhar o mundo
com olhos felizes.